Editora Saulus: Diga-me que teólogo citas, e eu te direi quem és

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É fundamental para qualquer velho saber quando a juventude o superou. Tem de fazer como Moisés, que entrega o cajado a Josué e pede aposentadoria. Sobre a "varada n´água" do Libânio, no folhetim "O Domingo" da Paulus (melhor seria chamar-se Saulus), estes jovens já comentaram com brilhantismo.  Mas sou um velho teimoso, e vou dar meus petardos. A propósito, como o Demerval aprendeu a usar um scanner, não vou transcrever o texto, mas vou por as figuras. Não me chamem de preguiçoso, digam apenas que "sei otimizar os recursos". É mais elegante. 

Padre Libânio, nome renomado, é um belo exemplar de jesuíta sem juízo, que faz Santo Inácio dar coices lá em seu túmulo na igreja romana do Sagrado Nome de Jesus. E tal é a propriedade da falta de juízo que quanto mais velho se fica, menos juízo tem, ao contrário do que pede a natureza.

Vamos lá. Primeiro, as referências, para se ter a data:



Agora vamos acompanhar minhas reações:



Muito bacana. Ele quem sabe vai falar do pecado, de como devemos sempre buscar uma conversão autêntica de nossos corações, mesmo já tendo uma vida religiosa tradicional, como sempre devemos manter as brasas da devoção acesas e pegando fogo.

Ai vem a palavrinha chave na novilíngua do Pe. Libânio:



Ai meu São Carlos Borromeu! (Não é Marx, viu, Pe. Libânio?!). Novilíngua: Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força. Secularização é vício, não virtude. Secularização é defeito, não benefício. Secularização é tornar-se do mundo. Secularização é mundanização. Não é ir ao mundo (como o Concílio Vaticano II preconiza), mas se tornar um mundano (como o evangelho renega).  Deus nos livre da secularização querida por Libânio!



NOTA IMPORTANTE: Existe, canonicamente, o termo secularização para religosos, que é permitir (nas ordens em que se aplica a clausura) que deixem a clausura e vivam no mundo, no Saeculum, porém mantendo seus votos. Não é deste que ele fala. Fischer-Wolpert, em Os Papas, chama de secularização também o confisco dos bens da Igreja.  

"Aprenderam a valorizar as realidades terrestres" - Pe. Libânio deve pensar que a Igreja é formada de gnósticos. A Igreja sempre valorizou as realidades terrestres. Sempre. Quem desvaloriza elas são os gnósticos, maniqueus e outras correntes. Toda a teologia católica é permeada de valorização da criação e da bondade nas criaturas, mesmo deprimida pelas manchas do Pecado Original. Deprimida, mas não eliminada!!! Qualquer téólogo católico valoriza as realidades terrestres, quem disser o contrário mente.

"Entusiasmar-se pelo compromisso social" - Ai, meu São Roberto Belarmino, glória da Companhia de Jesus, dai-me paciência. "Social" é uma palavra cavalo-de-Tróia, leva qualquer inimigo no seu ventre. O Pe. Libânio nunca leu Locke? Ô loco! Será que existe alguém "desentusiasmado" pelo Contrato Social que nos permite viver juntos? O que será que este social anuncia? Seriam os quatro cavaleiros do Apocalipse? Seria a época besta da igreja de Laodicéia?

"Tiveram a graça de encontrar neste caminho não a perda da fé, mas a purificação e aprofundamento". Libânio é um argumentador idiota, e entra pelo cano com esta. Pensem, qual é o grande talento do ilusionista? É distrair a platéia enquanto ele faz o coelho entrar na cartola (ou outro truque manjado). Ele não diz "Senhoras e senhores, agora eu não vou esconder um coelho na cartola, ele vai surgir sozinho pelos meus poderes". Não há aquele ditado "Quem se excusa sem motivo, se acusa com razão?".

Peço a ajuda de René Magritte para explicar de outra maneira:


Não me venham com xurumelas dizendo que "Não é um cachimbo, é uma pintura". Para todos os efeitos, na limitação de um quadro, aquilo É um cachimbo. Não adianta escrever embaixo que não é um cachimbo, meus olhos firmemente atestam que É um cachimbo. Como Chesterton resumiu brilhantemente a Escolástica: "Um ovo é um ovo". É tão simples! E o mau ilusionista Libânio? Ora, ele vem dizendo que não é um cachimbo, mas justamente acaba apontando o fato que é um cachimbo. Sua negação gritante acaba falando a verdade da situação da Igreja que até as pedras de Aparecida sabem: "Tiveram a desgraça de encontrar neste caminho a perda da fé, a degradação e a superficialidade". Pela negação grosseira do "Isto não é um cachimbo", Libânio acaba entrando pelo cano, e - com o sinal trocado - mostra as conseqüências nefastas da heresia chamada "Teologia da Libertação" na igreja do Brasil. Nome Teologia da Libertação que é pura novilíngua, porque deveria se chamar "Heresia da Escravização"




De acordo com Virgílio, quando os troianos traziam bocós e contentes o cavalo de Tróia para dentro da cidade, Laomedonte, um sacerdote da velha guarda, pediu para tomarem cuidado, que alguma armadilha havia, e que "temia os gregos até quando davam presentes". Laomedonte atira uma lança contra o bojo do cavalo, que, ao acertar, faz barulho de oco e som de sacolejo metálico, prenunciando as espadas e armaduras dos soldados escondidos. (Como os troianos não deram ouvidos ao velho sacerdote e aceitaram o cavalo, deixo para quem quiser ler a Eneida.)

Acabamos de ver o "Cavalo da Paulus" entrando na nossa missa dominical. Pelo começo do texto, ouvimos o barulho de oco e o som das armas dentro.  Quem será que este "Cavalo da Paulus" traz dentro de si? Seriam Ulisses, Diomedes, Ajax? Ouçam o som das armas retinindo no bojo do cavalo: "Nutriram-se de teólogos sérios (SIC)". Ai dentro tem soldados, troianos! Ai dentro tem soldados! Quem seriam os teólogos sérios??? Vamos fazer uma questão de múltipla escolha:

  • (  ) a.   São Justino Mártir
  • (  ) b.   Santo Hilário de Poitiers
  • (  ) c.   Garrigou-Lagrange
  • (  ) d.   Joseph Ratzinger
  • (  ) e.   Nenhuma das alternativas
Padre Libânio vai responder quais são os teólogos sérios, façam suas apostas. Quanto ao resto do parágrafo, blá blá blá que podia entrar em qualquer lugar do texto. Há uma expressãozinha perdida no meio do texto que dá uma pista: "Construir a história". Alguém lembrou de Hegel, o inspirador de Marx? Sobre a marcha da História? É, meus filhos, é muito sério isso. Todo esquerdista acha que a História marcha rumo a inexorabilidade do Socialismo. Logicamente, eles são modernos e nós, que esperamos a segunda vinda de Cristo, somos os atrasados.



Como diria Jesus Cristo, no Evangelho do mesmo domingo, na página anterior do mesmo folheto: "VADE RETRO, SATANÁS! Tu ensinas coisas dos homens, não de Deus!". Filhos, isso é puro leninismo, é puro socialismo científico. Não contentes em esperar a inevitabilidade messiânica do socialismo, o revolucionário precisa auxiliar a História a atingir seu porvir. Esta é a tal "responsabilidade histórica" do Libânião ai.  E o bom esquerdista não mede caveiras para ajudar a "tal da História", tadinha, tão necessitada de milhões de litros de sangue pelo chão para atingir a utopia socialista.


AHAAHAHAH! Às armas! Às armas! Às armas, cidadãos da Sagrada Tróia! Os gregos tomaram os portões!!! O Cavalo da Paulus vomitou os inimigos. Vejam, é Leonardo Boff que sai dele! E sai engajado pela "justiça, liberdade e paz".  Meu Deus! Quando um marxista pede justiça, liberdade e paz, não restarão crânios intactos pelo caminho!

Quando chego neste ponto, desanimo e penso que o Pe. Libânio é um ridículo. Tanta rasgação de seda só para fazer uma Apologia do Leonardo Boff ???  Tenha a Santa Paciência! Que ridículo! Até os teólogos da Libertação podem mais. Ridículo! Corei de vergonha pelo Libânio, a vergonha que ele já perdeu o bom senso para sentir.

O perigoso disso tudo é que estas bobagens entraram na casa do Senhor no último domingo, e muita gente boa leu sem se dar conta das grossas bobagens que estavam escritas. Por sorte, dado o estilo untuoso e enroção do Libanio, poucos devem ter entendido.

O mais patético é que o Boff, citado em terceira pessoa, tem de citar o Pessoa (o trocadilho foi sem querer). Ou seja, Boff é tão fraco que é citado pegando emprestado uma citação. É como se dissessem: "O Frei Rojão, citando Chesterton..." . Nada contra Fernando Pessoa, é um bom poeta, bom para se ler poesia, não fazer teologia. Aliás, não era o tal Alberto Caeiro que, muito escolástico, gostava de pensar em uma árvore como uma árvore e nada mais? Pois é...  Há poetas de excelente teor cristão, como Romano Melodista (Melodista, não Metodista!) e Aurélio Prudente Clemente. Mesmo Santa Teresa soube ser doutora e poetiza. Se Boff não consegue citar um teólogo que corrobore com ele, citasse um poeta cristão pelo menos.


Inclua-me fora dessa, Pe. Libânio de Curto Juízo! Chego no final do texto cansado e entediado. Muitos  leitores, mesmos os mais perspicazes, não entenderam o último parágrafo. Provavelmente nem Libânio. Que diabos é isso de falar de "militantes ateus heroicamente dedicados" ? Ora, é que Libânio, como bom esquerdista e péssimo sacerdote, não pode deixar de lado os comunistas ateus, seus irmãos na luta. É isso que ele escreve. Ele "salva a cara" de tantos porcos assassinos que lutam ao seu lado pelo socialismo. Se ele faz a apologia do "Esquerdismo Cristão" (paradoxo) naturalmente ele poe no fogo o esquerdismo clássico, ateu. Então precisa dar esta aliviada, entenderam? A "construção do reino de Deus na terra", que cita, é novamente o conceito leninista de socialismo ciéntífico, ajudar a apressar o socialismo. 

Ah, mas para terminar este longo texto, como em todo bolo, faltava a cerejinha, perdida lá no canto:


Preciso escrever mais???




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8 comentários:

  1. "Doutra feita" eu li no mesmo folheto um arrazoado discutindo (ou seria defendendo???) a "transa" entre noivos, porque afinal... (aqui deveria seguir um exemplo do arrazoado mas como estou com fome e frio, vou o mercado).

    Abraço

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  4. Excepcional e primoroso texto de alerta, frei Rojão. Realmente, com este texto demonstras que és sim, um grande Laomedonte. Mas as pessoas pecam por falta de entendimento e o marxismo pseudo-teológico é uma víbora mesmo.

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  5. hoooo........FREI ABENÇOADO POR DEUS !!!!

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  6. Boa, sou doido para queimar esses folhetos em Praça Pública, vou pegar uns q eu tenho e ver as bobagens que eles tem e fazer umas postagens no meu blog. Gostei da ideia!

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  7. A Editora Paulus é expert da TL em suas publicações, como: BIBLIA. EDIÇÃO PASTORAL, dos padres Ivo Storniolo e Euclides Balancin e imprimatur de D Luciano Mendes. As abalizadas refutações às falácias dessa transmutação do cristianismo para o socialismo são do eminente teólogo D Estêvão Bettencourt.
    As edições de "O Domingo", por ex., de n° 14. "Os caminhos da Existência" do João B Libânio-TL é de arrepiar. Sem citar um tremendo marxismo cultural deles: Senhor, escutai as nossas preces...
    Marxismo Cultural para a Paulus já não é ditadura do relativismo, muito mais: é dogma de fé!
    Aliás, interpelações a eles são úteis e divulgarmos o quanto possamos as sutis atuações da engenharia literária da Internacional Socialista utilizadas para apregoarem o socialismo, via doutrina da Igreja devidamente fraudada e com similitude quase imperceptível à primeira vista creio serem oportunas.
    Modificam-se muitas estruturas graças às pressões, inclusive boicote comercial, não é fato?
    Quem assistir às 6 aulas do Pe Paulo Ricardo acerca do assunto relacionado ao marxismo cultural se esclarecerá o suficiente para não deixar-se subverter tão facilmente.

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  8. NAZISTAS, SOCIALISTAS-COMUNISTAS: ESQUERDISTAS IGUAIZINHOS
    Não há diferenças entre os nazistas com mais de 20 000 000 de mortos e socialistas-comunistas, muito mais de 100 000 000 de mortos e, se conferirmos os procedimentos com os de Hitler, concluiremos serem da mesma estirpe e métodos de ação esquerdistas; aliás, há também muitos elos entre o protestantismo e ambos regimes, e foram os Estados alemães protestantes mais populosos e com média de 47% que deram a vitória a Hitler.
    A fundamentação é a mesma abaixo: ambos situam-se sobre um adorado Estado, um deus todo poderoso, provedor de tudo e de todas as regras, se dizendo "democrático e representante do povo", porém, totalitarista, repressor, materialista e ateu, excluindo arbitrariamente os contestadores "em nome do povo", e como sempre fracassa, culpa os outros, jamais admitindo sua deficiência; difere-se do outro Estado democrático, em que as pessoas livremente escolhem os representantes e que, por desprocedimento, podem exigir sua destituição do cargo ocupado; idem, rejeitando o Direito Romano, que concede poderes a cidadãos prejudicados pelo Estado.
    Quanto à imprensa, menina dos olhos dos socialistas-comunistas, é controlada, veiculando apenas notícias de interesses da ideologia do governo, sem alternativa de oposição; adapta-se ao regime ou é cassada.
    As famílias, devido à repressão do pátrio poder, ensino familiar e religioso, reduzem-nas praticamente a "granjas" de reprodução de seres humanos para o sistema, em escolas onde doutrinam as crianças desde a tenra idade na ideologia estatal para serem as gerações de novos fantoches, favoráveis à ideologia, incluindo aborto, uniões gays, glbts, kit gays, ideologia do gênero, etc.; privilegiam sobremodo o desporto, para se moldarem seres de qualidade superior para benefício do Estado; permitem-se todas as religiões ininterferentes na ideologia do sistema, como as relativistas: as TJs e seitas como as ocultistas; porém, a doutrina extremamente odiada e combatida sem tréguas é a da Igreja Católica.
    E mais: privilegiam o coletivismo, em detrimento do individualismo e da livre iniciativa, daí a estatização de empresas ou então um rígido controle sobre seus lucros; a reforma agrária se mantém quase nos mesmos moldes, com expropriação de terras quando necessário for a critério do Estado, em ambos regimes.
    Idem, como os nazistas, usam a todos instante o termo "democracia"; são populistas e para eles "mentir" e favorecer o partido é virtude e "todos os meios justificam os fins."
    O católico votante em candidatos e partidos dos acima é excluído automaticamente da Igreja por apostasia.
    O Papa Bento XVI em ida à Alemanha, cidade de Erfurt, nomeou a ambos de "chuvas ácidas", ao socialismo-comunismo de "peste vermelha" e aos nazistas de "peste negra" ; incluem-se nesses termos: membros, eleitores e simpatizantes.

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