O mundo não é cor-de-rosa

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2 Comentários


Há uma garota paroquiana que vivia discutindo comigo. Ela era ouvinte assídua do Pe(???) Fashion de Melo e de seu programa "Direção (???) Espiritual (???????)". Eu replicava que Direção Espiritual não era um programa edulcorado, mas algo sério e individual, mas falar com ela era uma luta contra o Zeitgeist, o Espírito da Época de "espiritualidade profunda" que vivemos.  (Se fosse um exorcista, temeria mais exorcizar o Zeitgeist que o Espírito Maligno)

Eu dizia que se ela queria se aprofundar na espiritualidade deveria ler As Confissões de Agostinho, a Imitação de Cristo, os Exercícios de Loyola, os Tratados de Ligório ou de João da Cruz. Em espiritualidade católica, para que nadar no dedal do Fábio Cantor-Popstar-Psicólogo Barato de Melo se havia o Oceano Pacífico de um Aquino, de uma Teresa D´Ávila? Ou mesmo de Teresinha - que é muito mais profunda e suave que qualquer padreco de jargão efeminado!!!

Mas a maioria dos fiéis são formigas que se afogam em gotas. E tinha de ouvir o "melhor do relativismo do século XXI" quando retrucava com algumas Verdades da Fé Católica. Uma das réplicas favoritas era que eu ensinava uma fé depressiva de um Deus repressor, quando simplesmente replicava as verdades evangélicas sobre o sofrimento redentor e a luta contra o pecado.

Enfim... hoje recebi a notícia que a garota está em depressão profunda. Algo muito triste... por outro lado, não era ela que fazia apologia do mundo imaturo e cor-de-rosa do Meloso lá? O mundo sem Mal em que tudo é relativo e que não há Verdade? Que o Inferno é conto da carochinha? Que Deus é um velhinho sorridente e esclerosado que nem se mete muito com nada? Em que tudo é pensamento positivo e psicologia barata? Ou seja, um mundo em que a vida é um eterno musical da Disney, com Bambi, Tambor, a Pequena Sereia, os Sete Anões e a Cinderela?

Eis os riscos de uma fé imatura e superficial! Nunca vi ninguém com Fé madura despirocando, porque a Fé é irmã siamesa da Razão, uma traz a outra consigo.
 
Por isto que somos felizes, porque estamos nos ombros de gigantes da fé cristã! Conhecemos que o mundo pode ser um lugar muito triste e conhecemos a realidade do pecado, e que além de um sofrimento quase inevitável em vida, nossas escolhas podem nos atirar num sofrimento incomensurável após a morte. E que sabemos que o caminho de Jesus Cristo não é o caminho da paz e amor drogada dos hyppies, mas o caminho terrível do Monte Calvário, carregando a cruz às costas, entre chicotes e cusparadas. Mas sabemos que lá no cimo deste monte terrível está o Mestre, que nos precedeu e exorta, vitorioso sobre a Morte, convidando-nos a sermos seus seguidores fiéis... fiéis a Cruz!
 
Salve, ó Cruz, Esperança Única*!
É tua loucura** que nos salva de nossa loucura!
 
 
 
* - Este verso está na base de uma das cruzes na fachada da  Basílica de S. Paulo Extramuros e num vitral em Santa Cruz de Jerusalém
**  - Antes que me critiquem, lembro que São Paulo definiu a cruz como "vergonha para os juseus e loucura para os gentios"


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2 comentários:

  1. Excelente texto frei. Retrata bem a realidade superficial em que muitos vivem (e pregam) hoje.

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  2. Sábio texto. Só conseguir entender o que é fé depois que abandonei esta auto-ajuda barata. Os verdadeiros pensadores do Catolicismo tinham que ser mais divulgados nas pregações.

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