Dialogar com a Modernidade ou ''O Bombeiro que morreu tentando salvar''

/
1 Comentários
O Santo Padre João XXIII de saudosa memória fez muito bem em perceber - inspirado pelo Espírito Santo, sem dúvida - que a Igreja deveria dialogar com a modernidade (modernidade, não o modernismo, fique bem posto).

Afinal, se não for a Igreja a lhe catequisar, quem vai salvar a Modernidade de si mesma? Quem vai alertar a humanidade que ela já comeu uma vez do fruto da auto-suficiência ("E sereis como deuses!" - prometeu o Tinhoso) e se deu mal?  Quem senão a luz de Cristo para iluminar o homem, que perdido confia em ideologias supostamente redentoras, que compreendem que o único remédio dos males que geram é tomar mais doses de si mesmas. Supostamente "O Império da  Razão" geraria mais liberdades, supostamente o Terror iria consolidar a Revolução, supostamente o Comunismo geraria uma idade de ouro, supostamente mais permissividade geraria tolerância e respeito... supostamente... supostamente... supostamente... e tome mais terror, mais expurgo, mais permissividade, mais males... 

O que ninguém contava é que muitos membros da Igreja iriam perder suas referências e se perderem, ao invés de trazer a Modernidade para junto de Deus, perderam-se na modernidade. É como aquele bombeiro zeloso que entra para resgatar a vítima do vazamento de gás e desmaia ele também vítima do gás, e temos duas vítimas ao invés de uma e ninguém mais treinado para salvar.  

Por que não souberam se preparar??? Perderam-se os sacerdotes que deveriam salvar as ovelhas perdidas. Talvez o erro tivesse sido das gerações anteriores, que prepararam mal para o confronto propositivo, apenas o confronto da negação. Talvez tenha sido erro daquela mesma geração que deu um passo maior que as pernas. Ainda precisamos de mais uns séculos para concluir. Todo problema tem  uma resposta simples, prática, verossímil e errada.

Ninguém acha que valores conservadores (em oposição à modernidade) são um bem em si. Nossa referência é Cristo, é o Verbo Encarnado, e que se exploda o que se julga estar a direita ou a esquerda dele. É função de cada batizado dizer ao mundo que os valores do Evangelho são eternos e definitivos, e que não é nada sábio querer abandoná-los - muito pelo contrário - estes valores são nossos penhores de liberdade e evolução. É Cristo e seu Evangelho o centro e segredo de tudo. O resto: República X Monarquia; Heliocentrismo X Geocentrismo; Luta de Classes X Contrato Social; blá, blá, blá; Ismo isto X Ismo aquilo, tudo isto é secundário. O Verbo Encarnado veio para redimir a todos, em qualquer terra, em qualquer sistema, em qualquer corrente, em qualquer organização social, em qualquer "qualquer coisa". 

Cristo nunca foi algo do passado a se negar em nome de um futuro. Cristo, sendo o Ômega do que já foi Alfa, é o futuro, aliás, literalmente o futuro derradeiro em sua Segunda Vinda, e que seja em breve! Que o homem pense em tudo, cogite em tudo, abandone ou retome qualquer coisa, fique com Cristo e está bem servido. Onde há Cristo, ainda que algo falte, tudo abunda; onde falta Cristo, ainda que tudo haja, nada existe, nada basta, nada é suficiente, nada é seguro, nada é definitivo.  

Quem, senão a Igreja, senão nós, temos esta missão de lembrar à Modernidade o Cristo? Que, sendo salvador de todos, também é salvador dela...

* - A segunda foto é no cimo da fachada da Catedral Laterana, a mãe de todas as igrejas. Mostra bem quem é o centro da Igreja.


Você também pode gostar

Um comentário:

  1. GOSTEI DESTE TRECO.... "Ninguém acha que valores conservadores (em oposição à modernidade) são um bem em si. "
    E VAMOS À GUERRA...CONTINUO NO COMBATE AOS HEREGES PROTESTANTES.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.