Três dúvidas e um post imenso

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Frei, Como embasar com maior profundidade os três assuntos abaixo?:

1 - Batismo de Crianças: Se a fé pessoal acompanha o batismo, como a criança pode recebe-lo pela fé da igreja?

2 - Intercessão dos santos: Se somos um só corpo, como eles ouvem os nossos pedidos de intercessão e nós não os ouvimos? Na resposta aos saduceus, Jesus diz que não haverá parentela, todos serão como anjos. Como Maria continua sendo Sua mãe e nossa no céu? Ela não foi mãe só na terra?

3 - Alguns dizem que a ordem que Jesus deu "Fazei isso em memória de mim" foi para toda a igreja e não para apenas os 12 e que estes não seriam sacerdotes. Como refutar esta idéia?


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Alguns conceitos que você escreveu estão errados. Eu não falarei deles. A melhor maneira de entender é beber da fonte. E quais são as fontes?


- A Escritura, ie, a Bíblia

- A Tradição, ie, o que os apóstolos, e por conseqüencia, a Igreja católica, vem ensinando

- O Magistério, ie, o que a Igreja ensina agora.
Como regra geral, sabendo que a Escritura é a Bíblia - que a Igreja aprovou e dá testemunho como sendo sagrada. O Magistério e a Tradição estão num livro chamado CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, leitura obrigatória para qualquer cristão. Lá todas as suas dúvidas estão dirimidas, porque o catecismo faz um resumo da fé católica.
I

Sobre o Batismo de Crianças, não falarei. Porque no catecismo já está bem explicadinho. Procure lá. E este ensinamento não veio do catecismo, veio de Concílios Ecumênicos dos primeiros séculos. E não foi criado do nada também, como a Escritura dá testemunho da Tradição e do Magistério, há evidências bíblicas do batismo de crianças. É ímpio não batizar crianças, e Deus cobrará caro os pais que deixarem de batizar seus filhos.

II

 
Sobre os santos, quem disse que não ouvimos os santos? Podemos ouví-los de três maneiras, pelo que escreveram em vida, pelo exemplo que deixaram e pelas moções (ie, inspirações) que nos enviam, por sua intercessão junto a Deus. Meus santos de devoção estão sempre me ajudando. Ou você está pensando em diálogo verbal apenas como comunicação? Neste caso, sinto muito, nem com Deus eu dialogo como quem dialoga com o vizinho. Moisés e os grandes profetas faziam isto com Deus Pai na Antiga Aliança, mas nem mesmo os Apóstolos dialogaram com o Pai. A comunicação com Deus é muito mais que linguagem verbal apenas. Sugiro estudar Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa D´Ávila que tem muita experiência neste assunto.
Na verdade, se pudéssemos dialogar com os santos, eles falariam apenas uma coisas verbalmente, a mesma coisa que a Rainha de Todos os Santos disse nas bodas de Caná: "Fazei tudo que ele (Jesus) vos disser". Nisto consiste o desejo de todos os santos, nisto consiste a receita da santidade. Nisto está nosso prazer, nisto está o ensinamento da Igreja católica.
Afirmar que Maria deixou de ser mãe de Jesus é um belo resumo de diversas heresias, como o nestorianismo e o monofisismo. Jesus é Deus verdadeiro E homem verdadeiro. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro no seio da Virgem. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro enquanto criança. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro enquanto vivia com seu pai São José a sua mãe Nossa Senhora. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro enquanto ensinava às multidões na Galiléia. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro enquanto criança enquanto chorava a morte de Lázaro e ainda Deus verdadeiro e homem verdadeiro enquanto ressuscitava Lázaro. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro pregado na cruz. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro descendo à mansão dos mortos. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro ressucitando gloriosamente. Foi Deus verdadeiro e homem verdadeiro subindo aos céus. Nunca deixou de ser homem verdadeiro. E neste exato instante, no céu, ele é homem verdadeiro sentado a direita de Deus Pai todo poderoso. Sendo homem verdadeiro, tem uma mãe verdadeira.
III

Quanto ao último ponto, Jesus foi claríssimo em todo evangelho que tudo que ensinava aos apóstolos mesmo as escondidas deveria ser propagado a todos as claras. Sendo assim, é tolice afirmar que a Santa Ceia foi um clube fechado, uma iniciação de um seleto grupo que não se renovaria. É absurdo afirmar que a eucaristia então morreria com os apóstolos.
É óbvio o caráter sacerdotal dos apóstolos, especialmente depois que Jesus sopra sobre eles o Espírito Santo. Você não quereria uma cerimônia de ordenação moderna, não? E os apóstolos tinham tão claro esta ordenação, que impunham as mãos aos seus sucessores. Se eles não o fizessem, quem celebraria a eucaristia e administraria os sacramentos? Sto Inácio de Antioquia, no século PRIMEIRO, um homem que conheceu São Policarpo que foi batizado por São João Evangelista, em seus escritos, já afirma claramente que o papel dos bispos era levar a eucaristia, e com o bispo lá estaria o Cristo e a Igreja católica. Feliz Inácio, numa canetada só (ainda que não tivessem caneta naquela verde época) já dá testemunho da hierarquia episcopal, do nome que a Igreja de Cristo seria conhecida e da eucaristia.


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