Contradição amuliana?

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Frei Rojão, E como fica para conciliar os votos de boçalidade e obediência? Obedecer o superior mesmo que ele seja mais mula que que Dona Águeda sugeriu que o senhor entrasse na igreja não seria ir de encontro ao carisma ou à vocação amuliana?

Frei Rojão responde

Simples: Voto de boçalidade vale apenas para os amulianos, portanto é específico. Quando preconizei as virtudes da obediência, preconizei de maneira genérica, para todos os religiosos. Apenas os amulianos tem voto de boçalidade. E voto de obediência. também. Um religioso deve sempre obedecer seu superior, seja ele um tolo. O grande milagre é ver tolos dando em sua tolice bons conselhos para quem realmente quer obedecer com o espírito de Cristo. 

E os amulianos? Um superior amuliano nunca exige que usemos nosso voto de boçalidade contra si. Aqui triamos bem. Tem um preço, somos uma ordem escassa, preferimos não ter casas a ter casas mal geridas. Uma maçã podre estraga o cesto, uma maça podre no topo do cesto verte miasma e estraga mais rapidamente ainda.

Posso usar meu voto de boçalidade contra D. Ágeda, e até contra D. Tersites, mas nunca contra Frei Genserico, que - aliás - nunca deu motivos, muito pelo contrário.

O problema é que se você alegar sua consciência para desobedecer instâncias superiores, cairá no que nos seminários amulianos passamos a chamar de Dilema Infernal de Lefebvre: por acaso sua consciência é juíza onipotente? Estará ela sempre certa e todos errados? E quem vigia a você, que vigia a todos? Se em seu íntimo você desobedece o superior para obedecer sua consciência, onde está quem garante que sua consciência não se perverteu? Assim caiu Satanás dos céus. É fácil dizer: Obedeço à Verdade. É mesmo? E quem garante que aquilo que você obedece já não "evoluiu" da Verdade com V maiúsculo? Já não é mais a Verdade, mas a sua verdade, já bem próxima ao Engano e à Mentira, mesmo que por boas intenções? 

Ceticismo, Frei Rojão? Não, dúvida saudável da fragilidade do julgamento humano! Todos heresiarcas morreram convictos!

Porém você não compreendeu totalmente o voto de boçalidade, e insisti alguns parágrafos no conceito errado para poder ensinar uma lição. O voto de boçalidade não é desobediência, mas é uma maneira de ensinar pela irrisão e/ou impacto. D. Ágeda aprendeu uma bela lição, assim como o terrível Pe. Hedger, vigário episcopal da zona leste. O voto de boçalidade é aquele safanão que você dá num cego para desviá-lo do buraco. O voto de boçalidade é aquela bronca da mãe ao perceber que o filho pequeno vai falar o que não deve. O voto de boçalidade é o tapa na bunda da criança que insiste em brincar com a tomada. O voto de boçalidade é a queimada controlada que os bombeiros fazem para evitar a propagação do incêndio na mata. O voto de boçalidade é a pancada do funileiro que desentorta a amassado. É o bisturi do médico que corta e sangra para arrancar um tumor.


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Um comentário:

  1. "O voto de boçalidade é o tapa na bunda da criança que insiste em brincar com a tomada. "

    Caro frei, até isso... No que depender da "mulada", a criança morre eletrocutada.

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