Aventuras na chácara do Osório IV: A dalmática e a verdade

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Entramos no fuscão, e disparei para longe dali. Ficamos em silência alguns segundos quando Demerval falou


- De-de-de-desculpa, Frei

- Demarval, temos aqui uma grande lição

- Si-si-sim, nunca co-co-coooo-confie em nada

- Não, porra! Preste sempre atenção na liturgia

- ?!

- Padre Hedger estava vestindo uma dalmática. Presbíteros não usam dalmática, só diáconos.

- En-en-en-tão...

- Se ele vai rezar uma missa, eu sou Santa Teresinha num bordel.

-  Não-não-não entendo

- Calma, Demerval, aprenda. Já estamos razoavelmente longe de lá. Agora é Show-time!!!

Parei numa quebrada, peguei do porta-malas uma mini-TV com uma pequena antena. Segundos de calibração e consegui imagens da pequena câmera amuliana que discretamente grudei na porta quando entrei intempestivamente.

- Você acha, Demerval, que eu, Clemente Rojão, ia sair de lá envergonhado com o rabo entre as pernas feito um cão sarnento? Você acha sinceramente isso???

A câmera conseguiu captar som e imagem. Infelizmente os padres e Bengas já estavam usando túnicas e máscaras de polvo violeta, que alteravam sua voz. Mas dava para reconhecer os personagens, ainda que não pudesse ser prova legal.

- Irmãos! Tendo o infiel sido enganado conforme planejamos, podemos proceder com o cerimonial de nossa venerável Ordem. Há muito tempo temos sido perseguidos por estes religiosos de merda, nós, os depositários da sabedoria egípcia e madianita, os seguidores da Luz universal, do Grande Arquiteto de Universo!!!

Os outros responderam

- Sim, grão-mestre!!! 

- Salve espíritos da fraternidade universal!

- Que a grande luz universal se derrame sobre a humanidade, numa única família espiritual!

Na parede, o altar tridentino tinha perdido seus paramentos, e agora tinha um bode de ouro no centro. Na parede, Nossa Senhora foi substituida por um G dentro de uma régua e compasso. Hedger apontou Bengas:

- Jovem, é chegada a hora de seres introduzido no décimo-quarto círculo dos cavaleiros de Molay da Nono Círculo dos sacerdotes de  Memphis na luz empírea de Helena Blavatsky e Chico Xavier. 

Bengas (dava para perceber que era ele pela forma do corpo) abriu sua túnica e ficou de quatro sobre o altar, tremendo.

- Maldito o nazareno e sua Igreja! - gritou o Grão-mestre Hedger

- Maldito! - gritaram todos

- Que seja destruída por dentro!

- Maldito o nazareno e sua Igreja!  - responderam

E alternadamente sodomizavam o Bengas no ritual de iniciação, que dava gemidos e arfava de dor quando levava uma catracada mais forte.

- Droga!!! - eu disse

Demerval estava horrorizado, mas o tranqüilizei

- Que há padres maçons isso se sabe há mais de trezentos anos... eu queria pegar uma orgia, isso faria Roma agir... Droga! Vamos voltar Demerval, que ainda consigo fazer a missa das seis horas.

***

Dias depois, a ordenação diaconal de João Bengas foi anunciada para a Diocese. 

THE END



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5 comentários:

  1. Jorge Eduardo dos Reis Velasco28 de abril de 2010 11:30

    Eu sabia Frei! Não me enganas! Só não esperava ser tão rápido.
    Nossa sorte é a FSB (antiga KGB) não ter agentes como o senhor.

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  2. Agora eu entendi porque os maçons não falam o que acontece dentro das lojas...

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  3. Pfff.... frutrou o Gran Finalle. rsrsrs

    padrebento75.blogspont.com

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  4. Narrativa espetacular, esse seu blog Frei, eis o que há de melhor no catolicismo sem frescuras.

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