Aventuras na chácara do Osório III: Pondo a porta abaixo

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Tive certeza das más intenções. No dia da festinha, D. Tersites ia viajar. O velho bispo alienado não sabia de nada.

- Canalhas! Canalhas! Canalhas! - dizia comigo mesmo

E sentia uma ponta de raiva dos Amulianos Encobertos que não poderiam me ajudar

Depois de muito meditar, jurei comigo mesmo que meteria a porta da Chácara do Osório abaixo. D. Tersites não estava envolvido, então os padres seriam pegos e não teriam defesa contra as evidencias de um amuliano furioso cheio de zelo apostólico

No dia da festinha, peguei o Demerval, vesti minha batina de guerra, coloquei todos meu apetrechos no meu fuscão 1300 e fomos para a chácara do Osório. Não há nada oculto que não venha a ser revelado, pensei. Sem sutilezas, sem estratagemas. Entrarei lá e os pegarei com a boca na botija, ou eventualmente em outras partes menos nobres do corpo humano. Seria uma oportunidade de fazê-los sentirem vergonha de suas práticas deprimentes que apenas jogam lenha na fogueira do anticlericalismo.

O portão da chácara estava aberto. Que canalhas, que certeza de impunidade! O caveirão subindo um morro carioca não foi menos sutil que eu entrando com meu fusca 1300 na chácara. Eu e o Demerval nos atiramos cheio de fervor, como Judas Macabeu na guerra santa e chutamos a porta do salão da chácara, e eu já entrei pronto para queimar minha retina numa mostra de degradação humana digna da corte de um Nero ou filme pornô classe B (ainda que os classe A sejam igualmente degradantes)

- Seus porcos canalhas, sacerdotes indignos! Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, arrependei-vos de suas práticas pecaminosas e abandonai o presbitério que manchais...

As palavras sumiram na minha boca. No salão, havia um altar grudado na parede, e vi o vigário, o desgraçado imbecil do Pe. Hedger com uma dalmática subindo ao altar e dizendo Et introibo ad altare Dei. Não estavam todos os padres ali, é verdade, apenas alguns, os piores da Diocese. João Bengas estava num canto, meio amarelo e com cara desanimada.

- O que é isso, caralho?!!! - disse

Padre Hedger virou-se para mim com seu sorriso mais cínico em suas bochechas gordas de anos de bajulação paroquial.

- Ah, amulianos! Sempre os donos da verdade!!! Tsc tsc tsc. Este Frei Rojão, pobre Frei Rojão, o rojão explodiu na sua mão.

- Onde estão as mulheres?

- Que mulheres, Frei Rojão?!! Este é nosso treinamento da missa tridentina, como o Sumo Pontífice preconizou em seu moto próprio. Aproveitamos que D. Tersites Wilson foi viajar. Sabemos que ele teimosamente se opõe à missa tridentina, mas um dia terá de ceder. O senhor está atrapalhando a celebração que eu ia começar.

- Eu, eu...

- Vergonha, vergonha, vergonha que os amulianos sufoquem em paranóia e não saibam ser igreja no novo milênio. Sua presença nesta diocese apenas causa divisão e falta de fraternidade, Frei Rojão. Que este episódio lamentável sirva para Vossa Senhoria repensar seu apostolado, e que os padres diocesanos não são seus inimigos.

- E por que não me chamaram?

- Ah, para quê?! O senhor já sabe tão bem o rito extraodinário!!! Na verdade, estamos aqui apenas fazendo um reforço para os padres menos acostumados.

De fato, ali estava a fina flor dos piores padres da diocese, todos encharcados de teologia da libertação, idéias esdrúxulas e ortodoxia duvidosa.

- Deveriam ter me chamado!

- E chamamos em certo sentido. O jovem Demerval infelizmente não é sutil ao fazer perguntas por ai. Tinha certeza que virias.

Queria assar o Padre Hedger em fogo brando. Queria queimar ele num poste com palha e lenha por baixo. E com lenha molhada, para demorar a pegar fogo e queimar mais devagar.

- Hum...

- Espero que tenhas aprendido a lição, Frei Rojão... Ora, rimou! Agora, por favor, tenha a bondade de se retirar. Infelizmente somos sacerdotes que não estão em comunhão para celebrarmos juntos.

- Olha aqui, Hedger, fique esperto porque Deus... - apontei para cima com a mão em riste - ... Deus há de punir os maus sacerdotes. E a Ordem Amuliana não descansará enquanto os indignos não forem expulsos e expostos ao opróbio!

Pe. Hedger, vigário episcopal da zona leste, me brindou com seu segundo sorriso mais cínico apontando a porta com o beicinho.

- Se me permite, temos o santo sacrifício do calvário para terminarmos...

Puxei o Demerval e saímos de lá. Eles pensam que me derrotaram... pois depois da sexta da paixão, vem o domingo da ressurreição... como um carrapato, um amuliano espalha os ovos que traz consigo quando é esmagado...

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5 comentários:

  1. Frei Rojão não sabe porra nenhuma de liturgia. Se soubesse, tinha metido o dedo na cara do padre que, querendo celebrar Missa, estava usando DALMÁTICA, veste de diácono! E nem venham me dizer vocês que padre usa dalmática na Missa tridentina quando atua como diácono, pois o texto diz que o "dalmaticado" iria rezar as orações DE PADRE!

    Que feio, frade!

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  2. Aguarde, irmão, porque Frei Rojão é o Pica-Pau da Igreja... ele nunca se dá mal...

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  3. É... me pegaste de surpresa neste desfecho... JA ESTAVA PENSANDO MAL DE TI por desqualificar nós os diocesanos. Valeu. padrebento75.blogspot.com

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  4. Ainda vem o capitulo IV pela frente

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  5. frei rojão é um fanfarrão!

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