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Política Eclesiástica para Conservadores


Livro III
"O que fazer"


Capítulo XIII
"Os hereges bagres ensaboados"




A maioria das lideranças na Igreja é boa. A maioria dos fiéis na Igreja é boa. A Igreja não resistiria se a maioria fosse ruim. Houve um lugar em que a totalidade era ruim, era Sodoma: Deus tocou o bondoso Lot de lá e destruiu a cidade. Mesmo em Samaria e Jerusalém com a punição nacional do povo diante respectivamente da Assíria e Babilônia os bons sobraram, ainda que tomando parte do castigo. 

O problema é que esta grande maioria é mal-formada. Formada ruim demais da conta, sô!

Há sim dentro da Igreja hereges e apóstatas no sentido mais terrível da palavra. E o diabo é que eles estão em posição de autoridade, têm amigos poderosos no governo e em Roma, e muitas vezes estão em Roma mesmo. É joio. É joio forte, é joio ruim, é joio mutante com trepadeira. E estes hereges são tão ruins quanto ensinam suas cacas para a maioria mal-formada.

Mas pelas cinco chagas de Nosso Senhor e pelas sete dores de Nossa Senhora, não confundam uma pessoa bem-intencionada, porém mal-formada e influenciada de boa fé pelos maus, com os maus. Não saiam por ai enfiando o dedo na cara e dizendo feito um imbecil: “herege, herege, herege”. Herege não é quem se engana (ou foi enganado) num artigo de fé, é quem pertinazmente e com convicção nega uma doutrina da Igreja.

Vou dar um exemplo: A Dona Cotinha que – porque ouviu demais programa kardecista e porque ouvia boa doutrina de menos na missa dominical – achava que Jesus era apenas um homem bom, um grande mestre, um guia da luz, mas não era Deus. Ela não é herege, ela apenas está enganada. Ela acha que é isso que a Igreja ensina, mas ela está enganada de boa fé. A proposição que nega a divindade de Cristo é a velha heresia do Arianismo. Ora, o arcebispo Ário era um herege (um heresiarca, aliás). Não faltou quem na Igreja dissesse que ele estava enganado, mas ele insistiu e arrastou vários bispos consigo. Os Concílios da Igreja repeliram as idéias de Ário, mas ele insistiu. Herege, certamente. Mas a Dona Cotinha, coitada, simplesmente precisa ser catequizada. Vou agora enfiar o dedo na cara da senhora e como se fosse um Atanásio sem santidade gritar que ela é ariana? Hoje em dia se você falar em arianismo pensam que é suposta raça pura alemã!

Muito diferente é a situação da Dona Cotinha com um arcebispo que dissesse não ser Cristo verdadeiro Deus. Ai não se escusa ignorância. Porém vocês verão que os hereges hoje em dia na Igreja não são declarados. Perto deles o velho Ário comprando brigas com Atanásio era um amador. Você verá os hereges modernos dando volta, fazendo rodeios, dizendo nem que sim, nem que não, deixando aos outros ensinarem errado e deprimindo ao máximo o ensino correto. Os hereges hoje em dia não sujam as mãos com heresia.

Bagres são tidos pela sabedoria popular como peixes escorregadios, difíceis de pegar nas mãos. Um bagre ensaboado é a expressão do supra-sumo desta qualidade, não basta ser bagre, tem de estar ainda coberto de sabão. Assim são os hereges e apóstatas no comando, é difícil pegar eles. Não se tira nada de conclusivo. Eles não são francos nem abertos. Terceirizam a heresia para outros bagrinhos que ficam escondidos nas universidades ou seminários, para formarem uma geração de teólogos e sacerdotes mal-formados, talvez hereges de boa fé, que crêem e ensinam errado porque pensavam ser este o certo.

Não pense que você será capaz de descarregar uma fúria atanasiana contra estes potentados. Eles vão te destruir, tirar-te da Igreja de forma que você nunca mais tenha impacto nem influência nela. São bagres, mas tem dentes de grandes tubarões.

Os bons bispos são muito fáceis de serem identificados. Eles estão assoberbados com as tarefas da diocese, cuidando das contas a pagar (e como têm!), da doença do padre Fulano, do crisma na paróquia de São Beltrano. Eles não têm tempo de fazer a politicagem esquerdista como os bispos vermelhos excomungados. Estes não estão nem ai, querem que a vinha do Senhor se perca mesmo para os javalis. Eles estão viajando e recebem recursos até de fora, têm tempo de esquentar a marmita marxista e vender estas idéias espúrias e excomungadas como a opinião dos bispos na Conferência Nacional. Sempre atrás de um bispo vermelho há uma diocese em frangalhos. Eles, como o Falso Profeta, vestem-se como cordeiros, mas falam a mensagem dos dragões. E digo mais, se você denunciar estes potentados, um bocado de gente boa mas inocente vai dizer: “Você está ofendendo Dom Sicrano” e ficar contra você. O pior do mercenário é enganar as ovelhas. Isso é triste. Triste DEMAIS!!!


A nossa luta não é no primeiro momento para remover os hereges tubarões da Igreja. Eles existem desde os tempos apostólicos, vide Judas Iscariotes. A nossa luta é para que a pobre Dona Cotinha se salve. E sabemos que ter uma concepção errada de fé é um sério empecilho para a santificação de qualquer batizado.  Vive-se como se crê, quem crê em bobagens vive dominado por bobagens. Nós não queremos que estes hereges tubarões ponham a perder as almas das donas Cotinhas que existem aos milhares na Igreja. A nossa missão é salvar almas.


Continuará...
Mira bem, Reverendíssima!


Pessoas públicas podem receber críticas públicas por seus atos públicos. Pessoas em cargos de liderança SÃO públicas. Seja na Igreja, seja no governo.

Tanto a Lei dos Homens (CF Art 5 VI) como a Lei de Deus (CDC Art 202 &2 e &3) permitem. Digo mais, a lei Moral o ordena. "Se eles não falarem, as pedras gritarão"

Se ficássemos com estas firulinhas pouco masculinas de "Não julgue em público" os grandes tratados de apologética que invariavelmente eram intitulados "Contra Sicranismo" ou "Contra Fulano" nunca existiriam.

As mocinhas disfarçadas de ortodoxia (na verdade um quietismo omisso que favorece o herético) ficariam: Ai, quem é Agostinho de Hipona para julgar publicamente Pelágio?! Quem é Agostinho para julgar publicamente o bispo Fausto, dos maniqueístas? Quem é este Atanásio para julgar Ário, Grande Patriarca de Constantinopla, ele está semeando a divisão no clero! Quem é esse tal Irineu de Lyon para escrever assim? E este tal Jerônimo? E esse Justino! E Orígenes!! E Cipriano! Todos eles não tem caridade, ai, ui, ai, ui... E Tomás de Aquino então? A Súmula contra os Gentios hoje em dia mereceria uma reprovação eclesiástica por afetar o Diálogo Inter-Religioso!

Ora, já vi irmãs clarissas e carmelitas com mais culhões que estas turmas ai de católicos jujubas...

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"Examinai tudo e ficai com o que é bom" 1Ts 5,21, disse o Grande São Paulo, o Apóstolo das Nações. E eu garanto que como fariseu judeu, cidadão romano e pregador entre os gregos Paulo examinou muitas coisas diferentes em vida.
Ora, hoje em dia ouço em tom de suspeita meio sorumbático: "Cuidado com tal autor. Ele tem influência do xxx_ísmo". Ó. Parece o segredo do sétimo selo. Parece uma lepra ou doença contagiosa que você abrir o livro do Fulano vai pegar. Ui!

Todo mundo é influenciado por todo mundo. Mas é a nossa consciência que julga. Você só se deixa desviar se quiser. A sã doutrina não é um equilíbrio instável que qualquer ventinho te derruba, não.

Mesmo os autores da Igreja foram influenciados por diversas filosofias e até mesmo heresias que em si não eram católicas nem cristãs, mas souberam peneirar e ficar com o que é bom.

Veja o exemplo de um bispo que pertenceu á seita dos maniqueus por quarenta anos! Quarenta anos! Que influência, né? Parabéns, você acabou de condenar a Santo Agostinho. Óbvio que Agostinho é ortodoxíssimo, ele mesmo rejeitou o maniqueísmo.

E São Tomás de Aquino, hein? Vamos jogar ele no lixo, porque além de universitário, ele era influenciado por UM PAGÃO (Aristóteles) TRADUZIDO POR UM MUÇULMANO (Averróis). Ah, hoje em dia falariam: "Cuidado com esse professor Tomás... ele tem influência pagã peripatética e muçulmana". Ah, vão dormir, né?

E Tertuliano? É verdade que no fim da vida Tertuliano aproximou-se e se deixou influenciar pela heresia do montanismo, isso custou que não o chamemos de "São" Tertuliano hoje. Mas os textos de Tertuliano em sua época firmemente católica são brilhantes de ortodoxia. E aqui entre nós, mesmo os textos da fase montanista dele são melhores e mais edificantes que 90% da literatura católica moderna a venda na Paulus e na Vozes.

Não se preocupe nem fique com paranóia de "influências". Nós não somos tão plásticos assim. Eu garanto para vocês, um capítulo de Babilônia na Globo ameaça mais sua santidade pessoal que ler toda a literatura de um século de heresia.

São Paulo deu a regra e o compasso: "Examinai tudo e ficai com o que é bom" e não virou herege, muito pelo contrário.

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O bispo Fausto era herege da seita dos maniqueístas, uma heresia bem louca até para os flexíveis padrões atuais.

Perguntem se Santo Agostinho em suas Confissões ficou com pudor de "julgar Fausto em público" ou "tratar um bispo da Igreja com dureza"???

Agostinho mandou a real sobre Fausto. E "As Confissões" hoje são um dos maiores e mais reproduzidos livros da cristandade. Talvez seja por isso que Agostinho seja conhecido como "Santo Agostinho" hoje, enquanto nós... pfff,coitados de nós... temos de relembrar o óbvio o tempo todo para católicos...

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Correção fraterna, o nome já diz, se dá entre frates, irmãos. A correção fraterna você pode fazer no seu círculo pessoal de amizades. É pessoal. E frequentemente o tema dela é algo pessoal, o que é correto não expor. E mesmo assim há que se pesar muito. Já vi amizades desfeitas porque um tentou uma correção fraterna nem sempre fraterna que o corrigido não aceitou a cominação de erro e ambos discutiram feio. Até porque quem quer dar a correção fraterna acaba não sendo nada fraterno também. É um saco de gatos. Correção fraterna é como colocar a mão na boca de um cachorro comendo, só faça se tiver muita, mas muita, muita, muita, confiança mútua, coisa rara hoje em dia.

Agora, suponha que um bispo da Igreja diga que Jesus não é Deus numa entrevista. Eu vou até ele o puxar para o canto e dizer "Irmãozinho, não faça isso?". É impraticável, né? Primeiro que a arrogância dele não vai deixá-lo me ouvir. Segundo porque eu deveria passar minha vida inteira viajando. Terceiro porque bispos sabem bem o que falam.

E as almas que podem ser perdidas com o ensinamento errado? Você tem de contestar em público até como um antídoto em público do veneno do erro. quando Pedro, diante dos doze, falava bobagem, Jesus não puxava ele para o canto e ficava de nhém-nhém-nhém, não, ele sentava a pua na frente de todos, porque se alguém ali fosse no erro de Pedro também seria corrigido por tabela.
Pessoas públicas, falando em público, merecem ser contestadas publicamente, e em termos duros se elas tem cargos de autoridade.

Falar o contrário é tolerar com o erro, com a heresia e apostasia.

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No século XII quando o clero se perdia em prebendas, sinecuras e dotações, Deus suscitou diversos leigos, dentre eles o genial Francisco de Assis para trazer de volta o exemplo da simplicidade e pobreza na vida eclesiástica. Mais tarde quando a chama da evangelização esfriava, suscitou o leigo Inácio de Loyola para inflamar a Igreja novamente a ir por mares e terras pregar. Mais tarde ainda, quando a devoção ao Santo Rosário era esquecida, suscitou o leigo Bártolo Longo para fazê-lo renascer em bençãos. Os exemplos são diversos nestes vinte séculos, é impossível citar a todos.

Deus pede agora que os leigos do Brasil tragam seus bispos de volta, sequestrados pela esquerdopatia e terceirizados pelo PT.


Se o mercenário viesse vestido de mercenário tudo seria mais fácil.
O problema é que ele vem vestido de pastor mesmo...


Os bons bispos e cardeais que pastoreiam suas ovelhas e cuidam da doutrina da Igreja, estes eu beijo as mãos devotamente como fiel e batizado. A estes poucos macabeus, todo meu respeito, toda minha devoção, toda minha obediência. Contem conosco. Aos pastores, não aos mercenários,

A CNBB "sentiu o calor" e agora vem dizendo que "sua reforma política não é a do PT" por cardinalões.

Isso é balela. É conversa para boi dormir. A Reforma Política da CNBB É A DO PT. Dizer o contrário é papinho da Serpente, é negar as evidências. Ninguém mais é trouxa não.

Se fosse verdade, então que a CNBB desautorize isto aqui e rompa com PT, MST, OAB,UNE, Contag, CUT e movimentos sociais que não representam nada, apenas franjas do petismo:





E lógico não poderia deixar de faltar o estímulo à bandidagem

Até o Google Translate traduz melhor o missal que a CNBB

A CNBB quer reforma? Ótimo. Proponho que comecem reformando a tradução do missal em português, que é responsabilidade dela pelo Direito Canônico e é o despautério que vemos na menor comparação com outras línguas.

Se o desejo de reforma ainda não passar, conheço dezenas de igrejas que precisam de novos telhados, bancos, vitrais e portas.

Quanto à Reforma "Política", deixai com César o que é de César, e que os homens de Deus cuidem primeiro do que é de Deus.
Estamos bravos!!!



Fofoca paroquial:

"Na ida a Aparecida em conversa com o Dom Fulano, nosso bispo, ele nos disse que na reservada o pau comeu, pois pela primeira vez nas manifestações tinham chamado a CNBB de comunista. E na conversa com o Cardeal Dom Beltrano, parece que ele está furioso dizendo que chamamos eles de comunistas."

Nota do Frei: Estão bravinhos, senhores bispos? Ué, anda feito pato, nada feito pato, voa feito pato é o quê?

Santo???

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Aulas de filosofia para reciclagem de bispos:

"Os seres se compreendem pelas sensações, movimentos e feitos que se recebem ou se percebem deles."

Trocando em miúdos: Ficam agindo feito comunistas, depois reclamam que chamam eles de comunistas...



Por Anderson Macena - D. Hélder Pessoa Câmara: Mais uma divisão clara se forma no Brasil, os contrários e apoiadores a canonização de D. Hélder Câmara, o Bispo Vermelho para alguns e Dom da paz para outros, mas, a pergunta que não quer calar, quem foi D. Hélder?

Hélder Pessoa Câmara, nascido a 07 de fevereiro de 1909 em Fortaleza, filho de uma família de classe média (hoje diríamos, da elite burguesa branca de olhos azuis cearense). Ingressou no Seminário da Prainha (o mesmo que formou Pe. Cícero Romão), no ano de 1931 sob a oração consecratória de D. Manoel da Silva Gomes, então Metropolita de Fortaleza foi ordenado Presbítero da Santa Igreja de Deus, no início de seu Ministério Sacerdotal Pe. Hélder foi designado por seu Bispo para ser Assistente da Ação Integralista Brasileira sob o lema de “Deus, Pátria e Liberdade” foi convidado a se mudar para o Rio de Janeiro, sendo recebido no Estado da Guanabara pelo eminente Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, sentindo-se não representado pelos ideiais do integralismo brasileiro abandona o integralismo. No Rio, exerce seu ministério presbiteral, inicia uma ponte aérea (rara na época entre o Rio e Roma), onde conhece o progressista Bispo Montini, Hélder convida Montini a vir ao Brasil, amizade essa que é estreitada ao longo dos tempos, na década de 40, Hélder leva a Montini a idéia de se inspirar nos Bispos Franceses e assim criar também no Brasil uma Associação de Bispos Brasileiros, ligados a colegialidade do Colégio dos Bispos e, por conseguinte do Papa. Montini leva a ideia ao Secretário de Estado e este se encarrega de apresentar o pedido ao Papa. O Papa vê nessa movimentação uma clara autopromoção de Pe. Hélder ao episcopado, Montini contata Hélder e conversam longamente por horas sobre o esboço inicial da CNBB, fica acertado que será criado a CNBB, mas, que Hélder não seria o Presidente, foi um baque na “carreira” do Padre cearense. Montini leva ao Pontífice o esboço da conferência brasileira e pede a benevolência ao Papa sobre uma promoção ao Pe. Hélder,  assim, Pio XII nomeia Hélder como Bispo titular de Saldae e auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Arquidiocese esta, tendo a frente Jaime Barros Câmara, os problemas do Cardeal estavam só começando...

D. Hélder inicia seu ministério episcopal fundando o banco da providência, destinado a emprestar dinheiro a juros baixos a comerciantes das “favelas” do Rio, em contrapartida o Epíscopo era muito bem recebido entre as claques da high society carioca, tinha influência com militares, políticos de expressão nacional e as damas cariocas, sempre regados aos melhores doces da Confeitaria Colombo.  D. Hélder é designado em outubro como Secretário geral da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e também como coordenador do Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro 1955. Com a presença de milhares de pessoas, Bispos, cardeais, padres de todo o mundo, todos sobre a batuta do Bispo Auxiliar, Hélder Câmara. O Legado Pontíficio de Pio XII  Cardeal D.Bento Aloisi Masella rasgou elogios ao epíscopo, Café Filho aplaudia de pé e rasgava louvores, enchendo assim o ego de Sua excelência Hélder, o Cardeal Jaime Barros sentiu-se incomodado indo a Roma pedir a transferência de Hélder. Pio XII morre. Quem será o sucessor?

Uma surpresa! Roncalli é eleito como sucessor de Pio XII, Montini comemora, Hélder também, agora tudo ficará bem, pensa. João XXIII convoca um Concílio Ecumênico. Logo chega a Conferência episcopal brasileira os convites de quem participará das sessões, assim viajam vários Bispos brasileiros, entre eles, Hélder e Castro Mayer, um vai para as fileiras de Suenens e Montini, o outro de Otavianni e Lefebvre. Após a morte de João XXIII e a eleição de Montini, atendendo à solicitação de D. Jaime, Hélder é nomeado Arcebispo de São Luís do Maranhão, morre D. Carlos Gouvea Coelho (Arcebispo de Recife) e Paulo VI o designa para Olinda e Recife, estamos no início do ano de 1964. Hélder toma posse alguns dias após a derrubada do governo comunista de João Goulart pelos militares, Paulo VI inicia as sessões conciliares e Hélder volta a Roma já com o prestígio de ser amigo do Santo Padre. As brigas só intensificam um racha na CNBB, D. Hélder em Roma começa a escrever a seus amigos, dando origem as chamadas Cartas Conciliares a Família Messejanense, enviada a amigos do Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, onde ele explana o dia a dia dos padres conciliares e as batalhas travadas nas sessões, fala da amizade com o Cardeal Suenens da Bélgica e de D. Manuel Larraín do Chile. Ainda nas sessões conciliares Hélder encabeça um agrupamento de padres conciliares que propõem uma “volta as origens” dando assim origem ao pacto das catacumbas, uma carta subscrita por Bispos onde abdicam as vestes próprias do episcopado, a renúncia aos “privilégios” eclesiásticos e a promessa de uma vida humilde, o pacto foi, a negação do uso das vestes episcopais, tais qual, a Mitra, Báculos de ouro, solidéu, cruz peitoral de metais nobres, etc, a proposta de seguir a Cristo na pobreza.

O “Dom” da Paz de Olinda e Recife

Desempenhando o ofício de Metropolita da Circunscrição eclesiástica de Pernambuco, D. Hélder pouco fez do ofício e quase nunca usava seu Pálio, passando a receber na Arquidiocese, padres de outras dioceses e sobretudo de outros países, a bem da verdade se diga que D. Hélder muito pouco tempo passava no Território Arquidiocesano, tendo em seu Bispo Auxiliar D. Lamartine o verdadeiro Arcebispo de Olinda em Recife, a isso, ele se referiu várias vezes “D. Lamartine, fora, sem sombra de dúvidas, muito mais Arcebispo de Olinda e Recife que eu, o Báculo é muito mais dele que meu”. D. Hélder passava os dias atendendo jornalistas do mundo que vinham a procura de suas palavras sobre a Igreja e sobre o mundo, quase nada fez pelas vocações sacerdotais, quando o fez, foi de forma equívoca e incorreta, acreditem os senhores, que funcionava nesta Arquidiocese dois seminários o SERENE e o ITER, Seminário Regional do Nordeste II e o Instituto Teológico do Recife, respectivamente. O Serene cuidava da formação dos Seminaristas de todo o regional NE II da CNBB (corresponde os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) e o ITER a formação dos leigos da Arquidiocese de Olinda e Recife e dioceses sufragâneas, no SERENE foi implantado a experiência do ver, julgar e agir, além dos professores não serem comprometidos com a ortodoxia da Igreja, os seminaristas voltavam para suas casas, numa espécie de seminário ‘EAD’, professores ateus e inclusive pastores anglicanos davam a formação a muitos sacerdotes que ainda hoje exercem ministério sacerdotal na Arquidiocese. D. Hélder também não zelava pela liturgia, certa vez, ocorrera um roubo numa Paróquia de zona nobre do Recife, invadiram a Matriz violaram o Sacrário e espalharam as partículas pelas ruas do Recife, um grupo de senhoras, fora conclamar o Arcebispo para um ato de desagravo, e ouviram dele os seguintes dizeres “todos os dias, Cristo é vilipendiado embaixo dos viadutos e não vejo as senhoras organizarem atos de desagravo, vão ajudar os que têm fome e deixem de bobagem”. Causando revolta numa parte considerável da “elite recifense”. Os padres desempenhavam aqui na Arquidiocese tudo, menos, catolicismo romano à exceção de 5 sacerdotes que resistiram ao período Helderiano, entre eles o saudoso Pe. Guedes que fora nos tempos de seminário, cerimoniário no Concílio Vaticano II, a Arquidiocese ia muito bem socialmente, mas o povo carecia e sofria com a ausência do catolicismo autêntico, com a morte de Paulo VI e após o Papado rápido de João Paulo I, o Espírito Santo constituía Pastor Supremo da Igreja Universal em outubro de 1978 o polaco Karol Wotjyla atribuindo o nome de João Paulo II, João Paulo já conhecia D. Hélder das sessões conciliares e sabia da realidade marxista que se tentava impor à América Latina mostrou preocupação com a guerrilha em Cuba, Guatemala, Nicarágua e El Salvador, e os governos militares do Brasil, argentina e Chile, uma das primeiras coisas que fez foi nomear Arcebispos conservadores nos respectivos países e acompanhar junto ao governo dos EUA  a movimentação na América Latina, evidencie-se a nomeação de Bispos e superiores nos seminários formados em Instituições de ensino superior conservadora, por exemplo, para o Brasil a nomeação de D. Eugênio Sales, D. José Cardoso Sobrinho,  no Chile de Bispos do Opus Dei, na Argentina dos Legionários de Cristo e João Paulo II ele mesmo veio a Conferência LatinoAmericana dar o seu recado no México em Puebla, silenciando Pedro Casaldáliga e Paulo Evaristo Arns. Na década de 80 quando soube que o Papa viria ao Recife D. Hélder tratou o Pontífice com a mesma humildade que tratou todos que o procuravam, o Pontífice ao pisar em solo Pernambucano exclamou “Arcebispo Hélder Câmara, irmão dos pobres, meu irmão” alguns vêem nisso um ato de aprovação, o que João Paulo II fez foi ratificar o que a Igreja sempre ensinou ao longo da História, “Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ (Mt 25,40), D. Hélder continuava a se ausentar de sua Arquidiocese, o Núncio informa ao Papa todas as desordens ocorridas nesta Arquidiocese, João Paulo pede tempo, quando no ano de 1985 o Arcebispo vermelho pede renúncia, a nomeação do novo Metropolita já estava pronta, foi de pronto recebida pelo Papa e anunciado o sucessor, D. José Cardoso Sobrinho o.C então Bispo de Paracatu MG. Após a posse,  de D. José, D. Hélder continua ativo fora do país em conferências, congressos, encontros em universidades sobretudo na França, Bélgica e Itália, seus padres fizeram de tudo para atrapalhar a vida do Arcebispo José, piquetes, protestos, passeatas, cartas, calúnias, difamações, mas, D. José contava com o apoio irrestrito ao Papa. No  dia 27 de agosto de 1999, D. Hélder dá seu último suspiro, entregando sua alma a terra de onde veio e para onde voltou. 

Braga


Ninguém pensa igual a ninguém. Você constrói uma instituição ou uma ação coletiva ao definir pequenos pontos essenciais de concordância. No mais, cada um com sua liberdade.

Como Deus é sábio, pede apenas o essencial, É por isso que o "Credo" e os Dez Mandamentos são essencialmente pequenos e cabem numa página, enquanto doutrina política humana ocupa muitas vezes vários livros.

As divisões são inevitáveis e a unidade é uma construção racional de idealidade.