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A Teologia da Prosperidade, a idéia de que pela religião você vai ter prosperidade neste mundo, e ficar rico como um patriarca, funcionava muito bem para estimular pastores nômades arameus a se manterem fiéis ao culto. Sim, Jacó era rico, na época em que riqueza era ter centenas de cabritos... mas ele vivia numa época bem diferente da nossa, em que por mais rico que fosse teve de emigrar para escapar da fome, ou que volta e meia um bando vinha do deserto e pilhava tudo. Era uma época em que o santo patriarca Isaac, em aliança com Deus, lutava por poços de água, o que não é exatamente o desafio que passamos agora.

Já na época de Jesus, com o cosmopolita Império Romano, a Teologia da Prosperidade já era defasada, e Cristo publicamente criticou o homem que achava que por ter um celeiro cheio ele era feliz. Quanto mais em nossa época em que a riqueza é algo tão estranho e fluido. Não, Deus não vai mais te ajudar a ficar rico, nem mesmo aos pastores síriacos urbanizados da época de Jesus ele ajudava mais, quanto mais em nossa época de derivativos e dívida pública. O máximo que Abrãao conhecida da economia da China devia ser um pedaço de seda visto de relance na corte do faraó como curiosidade.

Eu só vejo carro velho ou popular com adesivos escritos "Presente de Deus", enquanto os carrões, presentes do Cujo mesmo, rodam anônimos e sem adesivos. Como a Teologia da Prosperidade NÃO FUNCIONA MESMO, para a justificar o fiel reduz seu o padrão, e acha que qualquer carrinho velho ou massacrado de impostos é a bênção de Jacó que o fez vencer Labão. Meu amigo, desculpe-me, mas com seu celtinha você não é o homem mais rico da Babilônia, nem mesmo entre os pastores caipiras de Canãa... Você não é um patriarca. Você não é Abrãao, homem santo e pai de nações, com um alta missão, ainda assim um nômade da Suméria no meio de sírios, que morava numa tenda e cuja única propriedade imobiliária era uma caverna que usava como túmulo (Macpela), ainda que tivesse seus rebanhos. Você é apenas um pobre brasileiro. E cada vez mais pobre. 

E lembre-se, na Bíblia, de fato, um senhor poderoso prometeu riquezas a seus adoradores: "Dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero. Se te prostrares diante de mim, tudo será teu." (cf Lc 4,6s). Veja bem quem usou a Teologia da Prosperidade no Novo Testamento e você verá a quem deve servir se quiser prosperidade neste mundo... e apenas NESTE mundo. 

Otimismo e pessimismo são duas categorias falsas, dois pacotes pré-definidos de reações psíquicas que são na verdade auto-enganos pré-moldados. Quando alguém vier com esta falsa dicotomia, no mínimo balance os ombros em desprezo e se atenha aos fatos.

Não é nem ser otimista nem pessimista, é entender a real natureza das coisas e suas conseqüências. E se alguém quiser taxar sua análise de fatos ruins como "pessimismo" ou dos bons como "otimismo" dê apenas um suspiro silencioso schopenhauriano: mesmo que você quisesse explicar, muitos não quererão entender.

A realidade é a realidade. O seu estado interno não a muda. Pode até mudar a sua reação no momento, mas que estado interno vencerá a contínua exposição dos fatos da realidade sobre você?

Capa


Pois é, gente, demorei mas fiz. De fato, o Misericórdia Volume I estava com uma boa procura, a despeito de ser o mais caro entre meus livros. Então vamos ao Misericórdia Volume II a pedido dos leitores. 

Devo dizer que adorei fazer a capa, com esta tão bela pintura de Maria Madalena no Museu Capitolino. Já a contra-capa fui mais uma vez meio dadá. Destaque para o nosso querido papa Francisco, numa pose muito típica de seu pontificado, e a mim mesmo com os óculos "Deal with it". Não me perguntem que é este Cristo e o jacaré, é uma iluminura medieval de algum museu. 

Contra-capa

Devo dizer que ao recolher os textos de 2012 e 2013 fiquei surpreso. Muitos de meus algozes dizem que estou "decadente". Porém o salto de qualidade nos textos me impressionou, especialmente em 2013. Também pudera, houve o evento traumático da renúncia de Bento XVI. As vezes penso que somos como ostras, as pérolas só saem se formos irritados e feridos. Talvez a decadência deles seja porque não falo o que desejam ouvir.

E é inevitável perceber ao longo dos textos, conforme eles se desenrolam, minha decepção - como de tantos outros - com o papa Francisco. Sendo assim eu me vi obrigado a fazer alguns reparos, algumas "Notas do Autor" para explicar isso ou aquilo. Especialmente nos casos do Cardeal Scherer, já que o sal perdeu o gosto, aliás, virou açúcar, depois que no novo pontificado o Cardeal deu "esquerda-volver". É impressionante como meu tom começa a ficar amargo e desanimado conforme os textos avançam. E o mais impressionante ainda é que a qualidade estilística aumenta proporcionalmente. Pois é, como Jeremias, brilhante em suas lamentações, talvez minha musa literária seja impelida pela dor.

Será que talvez tenha "encontrado minha própria voz"??? Explico: No início somos evidentemente obrigados a cativar leitores. Sendo assim, vamos um pouco com o rebanho. Conforme somos consagrados, tendemos a não mais ligar para o que pensam os outros. Neste momento, falamos como nós mesmos. Isso explica porque eu mesmo comecei a achar os textos melhores. Se lermos o Misericórdia I, veremos que ele está bem gracioso e desbocado. O Misericórdia II passou a ser mais reflexivo, porém mais esperançoso. Ora, nós só prestamos atenção na esperança quando a coisa realmente está feia. As capas falam muito. Enquanto no Misericórdia I estamos com um Cristo severo expulsando os vendilhões do templo, no Volume II é uma Maria Madalena chorando olhando para o céu, aquela tristeza começando a virar esperança. Eu realmente tenho orgulho desses trabalhos gráficos, porque conseguiram refletir o espírito dos textos.

Volume I

O livro também saiu O DOBRO do tamanho do Misericórdia I (2010-2011). Isso aumentou um pouco o preço (+ R$5,00), porém a lombada cresceu, há de ficar mais bonito na estante.

Muito bem, já vou preparar o Misericórdia III, com os textos de 2014 a 2015. Porém - ai Jesus - esse só publicarei em janeiro de 2016, afinal, 2015 (ano muito ruim) ainda não acabou.

Neste volume dediquei toda uma parte dele a Meditações. De fato, foi um período com bastante meditações. Ou seja, este livro pode ser também um insumo para sua vida espiritual. 

Neste volume eu modifiquei a estrutura das partes em relação ao primeiro, que tinha diversos temas. Neste fiz apenas cinco grandes temas em que dispûs os textos:

I - Igreja
II - Política
III - Cultura
IV - Renúncia de Bento XVI e Conclave
V - Meditações

Ficou muito boa esta distribuição. O leitor pôde ver todo o meu pensamento se desenvolvendo ao longo dos anos. Confesso que foi uma grande reflexão para mim colocar tudo isso junto, e olhar os textos de maneira comparativa.

Bem, leitor, entrego sincero o que me propûs. Os direitos autorais que recebo são bem menos da metade do valor do livro, porém fico satisfeito que com cópias em papel em sua mão, leitor, o que escrevo ficará mais perene e terá mais utilidade. 
Alter-Salomé

Concordo que o sacerdote na missa é o Alter-Christus, um "outro Cristo". Bem, eu disse um sacerdote em suas funções na missa, com toda gravidade e concentração que a posição exige, no sacrifício incruento da missa.

Agora, quando um sacerdote está no altar rebolando e pulando feito uma bicha louca, ai ele não é o Alter-Christus, e sim o Alter-Salomé, a moça que na esbórnia dançou nua para pedir a cabeça de São João Batista a um rei corrompido. Ai não é mais a missa o outro Calvário, e sim o puxadinho do salão de Herodes.

Sim, o rei David dançou diante da Arca da Aliança. Quanto a isso temos vários reparos: Primeiro que no caso do santo rei era uma procissão em festa, não uma execução como no Calvário. Segundo que a dignidade da eucaristia é infinitamente superior à da Arca da Aliança. Terceiro que mesmo para Davi não pegou bem, a princesa Micol o criticou severamente, vejam na passagem. Quarto, outro episódio análogo de dança litúrgica foi no episódio da idolatria do Bezerro de Ouro e um semelhante no dos sacerdotes de Baal versus Elias, e Elias não dançou, alias, ironizou os idólatras que dançavam para Baal. Por último, "quod licet Iove, non licet bovi" (o que é bom para Júpiter não é bom para um boi), David era David, rei ungido, herói, santo profeta e avô do Messias. Alta é a dignidade do sacerdote, mas são muitos poucos os atuais que chegam a um décimo da santidade e sabedoria de David. Quem quer imitar a David siga os passos de David na santidade, não os passos de dança.

Por fim, se ainda assim algum padre quiser dançar no altar se dizendo como David, conheço alguns sujeitos bem grandes e fortes para ele tentar derrubar numa briga. Afinal, é fácil querer imitar David nas dancinhas, difícil mesmo é ter coragem de enfrentar os Golias que há na vida.


Criem o que quiser, mas nunca abandonem nada, nem a Pastoral da unha encravada. Esta é uma Guerra de Espaço. O que nossos inimigos mais querem é que nos afastemos, ai eles nos tacam de vez a pecha de cismáticos e os idiotas-úteis, pessoas até bem intencionadas, ainda assim idiotas-úteis, vão nos rejeitar automaticamente preferindo seguir o rebanho momentaneamente enganado pelo Mercenário.

Eu prefiro ficar no rebanho para poder jogar disfarçadamente esterco na marmita do Mercenário. Com o tempo, junto mais ovelhas e cães e chutamos foram o Mercenário, quando o Bom Pastor vier retomar.

No Antigo Testamento, quem tocasse num leproso tornava-se impuro. Além de medida higiênica da Antiguidade, a impureza ritual veterotestamentária era uma prefiguração do pecado, que sujava tudo o que tocava. (A impureza ritual também era extensiva aos cadáveres, fluxos menstruais e mofo de roupas em diversos graus, vejam o livro do Levítico para mais detalhes.)

Não obstante, Jesus tocou num leproso para o curar, supostamente adquirindo a impureza ritual. Supostamente eu disse, porque sendo ele Deus, era a impureza que desaparecia ao tocar nele. A impureza ritual do Antigo Testamento desaparecia com a aspersão do sangue das vítimas de sacrifício ou da água lustral embebida em hissopo. Temos aqui uma segunda alusão à Paixão de Cristo, Jesus como o sacrifício definitivo era o purificador da impureza por excelência. O leproso e a mulher hemorrágica não apenas ficavam curados ao serem tocados por Jesus, mas livravam-se da impureza.

Ora, todo o pecado é um afastamento de Deus. Ainda assim, pela ação do Espírito de Deus movendo o pecador ao arrependimento, é como se Deus "tocasse no leproso" sem tornar-se impuro, mas começando o processo de cura.
Hoje é dia de um santo que seria descanonizado pelos "pogreçistas" de uma "Igreja aberta, moderna, sem medievalismos e sem barroquismos". De qualquer forma, ele é cuidadosamente escondido.

Pobre Pio X!
A maior desgraça para um profeta é ver que os males que previra ocorreram.

Pio X de fato removeu muitos males da hierarquia, mas não conseguiu remover as idéias malignas, que conquistaram muitos adeptos. Como uma infeccção mau-curada, o mal voltou e voltou mais forte, resistente aos antibióticos naturais. Hoje em dia se você tascar a pecha de herege excomungado num deles, ele vai rir e ainda capitalizar politicamente em cima, dizendo-se perseguido pelas forças antiquadas e adquirindo um ar de mártir da liberdade. Como bactérias que se tornaram resistentes aos antibióticos, os remédios da época de Pio X não funcionam mais.

Eis uma bela lição: A Guerra de Posições é apenas a primeira etapa. Se não houver um Combate de Idéias como segunda etapa, virá uma nova geração seduzida pelas idéias falsas ainda em voga. É por isso que mesmo depois de curado, você continua tomando antibiótico um bom tempo depois.

Em certo sentido, fato análogo ocorrereu no Brasil depois de 1964, em que a esquerda foi derrotada nas posições, mas não nas idéias, que ressurgiram fortíssimas retomando em seguida as posições. Vejam que a esquerda não cometeu este mesmo erro, e fez cuidadosa terra-arrasada nas idéias da Direita nas escolas, universidades e artes.

Assim também na Igreja, aqueles a quem Pio X combateu no topo, como cupins roeram embaixo, chegaram ao poder e cuidadosamente desmantelaram o edifício, de tal forma que a simples menção ao conservadorismo é causa de perseguição terrível e cruel a qualquer sacerdote. Quem negar esta afirmação, não discuta comigo: Discutam com o cadáver desgostoso de Dom Livieres, de preferência com algum texto da CNBB na mão.